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Flash na Zona Fantasma: Si Spurrier transforma o herói em um épico de ficção científica.

por MAD KEN

Mad Ken é tradutor de quadrinhos da Zona Fontasma.

A fase de Simon Spurrier em Flash (2023) terminou com Flash #25 deixando uma impressão bem clara entre leitores e críticos: foi uma das runs mais diferentes — e divisivas — do personagem em anos.

Desde o começo, muita gente percebeu que não seria uma fase “normal” do Wally West. Em vez de histórias mais diretas com vilões clássicos, Spurrier apostou pesado em conceitos abstratos, quase de ficção científica filosófica. Elementos como os Arcângulos, a Quietude e a própria ideia de uma camada mais profunda da realidade (a tal “Mudança Profunda”) deram o tom da série. Para alguns leitores, isso foi exatamente o que tornou a run especial — uma tentativa ousada de expandir a mitologia do Flash para algo mais cósmico e conceitual. Para outros, acabou sendo um dos maiores problemas: a história frequentemente parecia difícil de acompanhar, com diálogos densos e explicações pouco diretas.

Algo a se elogiar é o foco contínuo na família West. A relação de Wally com Linda Park-West e seus filhos manteve a série emocionalmente ancorada mesmo quando a trama ficava extremamente abstrata. Nesse contexto, Jai West acabou ganhando destaque inesperado, ele foi uma das maiores surpresas da fase: de coadjuvante, passou a ter um papel relevante nos eventos principais, com seus poderes sendo importantes em momentos-chave da história. Para parte do público, isso foi um acerto — uma forma de evoluir a família Flash. Para outros, ainda ficou a sensação de que essas ideias poderiam ter sido desenvolvidas de forma mais clara, como a presença do cachorro Foxy, o pet da família West, ligado à Mudança Profunda, e que simplesmente cai de paraquedas ali, e Wade, o terceiro filho de Linda e Wally.

Um dos pontos mais comentados da fase de Simon Spurrier foi justamente a virada de tom ao longo da história: o que começa como uma ficção científica densa, cheia de conceitos difíceis como Arcângulos e a própria estrutura da realidade, aos poucos vai se transformando em algo mais aventuresco e até clássico dentro do universo DC. Isso fica claro quando a trama se desloca para Skartaris, trazendo uma pegada mais exploratória, antes de escalar para um clímax grandioso com uma batalha na Lua, onde Wally West literalmente se divide em incontáveis versões de si mesmo para enfrentar o exército de Eclipso. Já no arco final, a run novamente abre espaço para expandir a família Flash: Irey West demonstra uma nova habilidade, indicando uma evolução de seus poderes, enquanto o retorno do Sombra adiciona mais uma camada mística à já caótica mistura de elementos cósmicos, científicos e fantásticos que definiram essa fase.

Ao longo da publicação, a recepção foi bem mista. Alguns elogiaram a coragem de sair do padrão e tentar algo mais ambicioso com o personagem, comparando a run a histórias mais experimentais da DC. Outros criticaram o fato de que, em vários momentos, a narrativa parecia priorizar conceito acima de clareza, o que dificultava o envolvimento com a trama em si.

No fim das contas, a passagem de Spurrier pelo título acabou consolidando uma reputação bem específica: não é uma run para quem quer “o básico do Flash”, mas sim para quem aceita uma abordagem mais cerebral, estranha e até desconcertante. Mesmo entre quem não gostou, existe um certo reconhecimento de que foi uma tentativa genuína de levar o personagem para um território novo… algo que nem sempre acontece em séries tão tradicionais.

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